O leque variado (e exigente) para os jornalistas

Como mencionei no post inicial deste blog, sou formada em Jornalismo há cerca de dois anos. Na minha curta trajetória profissional, considerando estágios e empregos, estive em três empresas. Três ocupações completamente distintas entre si (já fui assessora de comunicação, repórter de um veículo e assistente editorial em uma editora de livros). E é sobre isso que escolhi discorrer um pouco nesta primeira postagem (a anterior foi apenas uma rápida apresentação): a multiplicidade e o pluralismo que permeiam o jornalista, desde sua formação até sua atuação no mercado. E como isso pode ser bom, mas tem exigido cada vez mais de nós, profissionais da área.

Como não sou nenhuma autoridade nem especialista em nada, uso como base para este texto apenas minhas próprias experiências e visões. O intuito é dividir mesmo. É conhecendo outras experiências que construímos a nossa e somamos com o outro e conosco também, assim acredito. Dito isso, vamos ao início: a formação. A faculdade de Jornalismo é apenas uma das opções da Comunicação Social, que tem também habilitações em Publicidade e Propaganda, Marketing, Relações Públicas, Produção Editorial, Radialismo e Cinema – os cursos e suas nomenclaturas variam de acordo com a instituição, que nem sempre possui todos estes, podendo ter outras variações também. Ou seja, o profissional de comunicação (o “comunicólogo”) escolhe logo na faculdade uma área específica para estudar e atuar, e quem opta pelo jornalismo vai trabalhar com apuração e investigação de notícias e elaboração de matérias para determinado veículo, correto? Pois é, na prática a gente descobre logo de cara que pode (e cada vez mais tem sido) ser bem mais do que isso.

A bem dizer, eu acho que “jornalista” e “comunicólogo” tem cada vez mais se assemelhado, e não só sido o primeiro um pertencimento do segundo. Explico: dentre todas as possíveis habilitações que a Comunicação Social compreende, o Jornalismo é a que mais abarca as demais. Com um diploma de Produção Editorial, uma área mais específica, você provavelmente encontra muitas dificuldades (para não ser taxativa, porque nunca se sabe) para atuar como repórter em um jornal, por exemplo. Com um diploma de Radialismo, talvez não seja tão fácil adentrar no mercado editorial, por sua vez. E por aí vai. Mas eu garanto: com um diploma de Jornalismo, é possível você trabalhar em todas essas carreiras. É claro que uma agência de publicidade ou uma empresa especializada em marketing, por exemplo, normalmente estão à procura de seus profissionais específicos e dão prioridade a estes. Mas nenhuma vaga é impossível para um jornalista. O que quero dizer é o seguinte: o jornalista é, por formação, o profissional mais “completo” da Comunicação Social. E isso se mostra no dia a dia.

Jornalista pode atuar como repórter de jornal, de revista, de on-line, de rádio, de TV; como assessor de imprensa, de comunicação, de mídias sociais; como produtor de programas e de veículos, inclusive de cinema; como editor de jornais e afins ou como editor de livros mesmo; como analista e produtor de conteúdos; como redator publicitário; etc, etc, etc. As possibilidades são infinitas, o que é ótimo. Só que, com o momento econômico frágil pelo qual o país tem passado, este fator tem emergido como um catalisador daquilo que já se mostrava: cada vez mais, o jornalista precisa saber um pouco de todas as áreas da comunicação – o que às vezes é complicado e aumenta muito o nível de exigências. Sob a justificativa da contenção de custos, da “crise”, as empresas procuram assessores de imprensa que saibam gerenciar redes sociais, produzir conteúdos para estas, promover a comunicação interna e sejam capazes de fazer branding; repórteres que possam auxiliar no abastecimento e na manutenção do site e do Facebook do veículo, que dominem bem a fotografia (mais um bom quebra-galho) e que sejam aptos a atuar como seus próprios revisores. Resumindo, não basta que o jornalista seja bom com redação de textos noticiosos, com apuração de fatos, com elaboração de matérias e tenha faro investigativo. Ter boas noções de marketing e endomarketing, de comunicação institucional, de edição de vídeos e áudios, saber usar o pacote Adobe, ser capaz de criar algumas artes e peças publicitárias, ser criativo, sacar de tecnologia e redes sociais, entender um pouco de diagramação e de design são algumas das principais preferências das empresas na hora de selecionar seus “jornalistas”.

Trago, aqui, um pouco da minha experiência particular: uma das minhas atuações foi em um editora de livros, empresa de pequeno porte. Quando entrei, a vaga era justamente para jornalistas, e fui contratada como assistente editorial. Além de lidar com a produção dos livros em si, principalmente com a sua revisão, fui requisitada para fazer a assessoria de imprensa da editora logo de cara – por isso, não bastava ter um diploma de Produção Editorial, pois as exigências profissionais no dia a dia iam além; era necessário, também, gerenciar e abastecer a rede social da empresa, escrever os releases dos livros, divulgá-los, fazer contato com a mídia e com os autores, fazer a comunicação interna (ainda que não de forma institucionalizada) e externa. Apesar de ter sido contratada como assistente editorial, fazer também a assessoria de imprensa – que, na verdade, era gestão de comunicação – era requisito inicial. Aí já consta um exemplo da exigência acumulativa sobre o jornalista.

Ao mesmo tempo que esse leque variado de funções do jornalista tem saldo positivo, na medida em que nos torna profissionais multifacetados e com variadas opções de atuação (leia-se: muitas possibilidades de emprego), tem seus poréns. Exige-se um alto grau de conhecimento do indivíduo, que ele domine ou, pelo menos, tenha muito boas noções de diversas atividades, o que não é tão simples – e nem é tão bem preparado lá na formação inicial, pois não são todas as faculdades que tem em sua grade disciplinas que ensinem toda essa bagagem – nem tem fácil. Além disso, as empresas acumulam funções no mesmo profissional sem remunerá-lo por todas elas, fato muito comum, infelizmente. Espera-se que o jornalista domine toda a gama da Comunicação Social, mas não paga-se por tudo isso. E aí, gera-se um efeito contrário no mercado: profissionais cada vez mais qualificados buscando uma oferta de vagas cada vez menor. E o salário, boa parte das vezes, segue estático.

Imagem: O Eu Literário

Imagem: O Eu Literário

Para vocês que sonham em ser jornalistas, que estão escolhendo um curso para o qual prestar vestibular, ou mesmo para vocês que já estão na graduação de Jornalismo, fica a dica: aproveitem o espaço-tempo da faculdade para já investirem no conhecimento amplo. Não foquem só em disciplinas e cursos de redação jornalística e afins (como eu fiz). Conheçam bem e aprendam sobre marketing, publicidade, noções editoriais, programas do Adobe e tecnologia em geral. O maior diferencial de vocês será seu próprio leque interno de possibilidades de atuação. Há vagas (ainda que este ano de 2015, particularmente, esteja bem complicado, mas isto pode ser assunto para outro post), mas elas estão cada vez mais exigentes.

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