Livros que me marcaram: memórias da infância

“Sou a marca de uma lágrima tão profunda quanto a solidão.”

Alguém aí se identificou? Eu, sim. Principalmente, quando tinha 11/12 anos de idade. A frase acima faz parte do livro A marca de uma lágrima, de Pedro Bandeira. Foi, sem dúvidas, um dos livros que mais marcou minha infância e o início da minha adolescência. E, hoje, escolhi falar um pouquinho disso, dividir com vocês livros que li entre meus 5 e 14 anos e que me tornaram quem sou – porque somos o que lemos, né?

Capa de A marca de uma lágrima (Imagem do Google)

Capa de A marca de uma lágrima (Imagem do Google)

Ainda criança pequena, já gostava de ler. E, pra minha sorte, da antiga Classe de Alfabetização até a 8ª série, estudei em um mesmo colégio, que prezava muito pelo estímulo à leitura. A escola tinha, como uma de suas disciplinas, um projeto de leitura. Funcionava assim: no início de cada ano letivo, eles comprovam X livros (acho que uns 30, porque as turmas não eram muito numerosas, costumavam ter em torno de 15 a 25 alunos) e deixavam todos em uma caixa. Uma vez por semana, o professor (a partir de 5ª série, quando passa a haver vários professores, um para cada matéria, existia um destinado particularmente e apenas para a aula do projeto) pegava a caixa com os livros e, seguindo alguma ordem – alfabética crescente, decrescente ou outras várias –, ia chamando cada aluno pra ir até lá e escolher, dentre todos aqueles, um livro pra levar pra casa. Os alunos tinham, então, uma semana pra ficar com o livrinho em casa e lê-lo. Na semana seguinte, o professor trazia de novo a caixa e tínhamos, cada um, de apresentar o livro lido de alguma forma. Tínhamos também um caderninho específico para as aulas do projeto de leitura, no qual fazíamos sempre trabalhos diversos sobre a obra. Enfim, uma beleza! Aí, no final do ano, todos os livros eram divididos pelos alunos da turma (às vezes, eram sorteados; às vezes, podíamos escolher com os quais queríamos ficar, e aí a ordem de estudantes para irem escolher era dada por aqueles que mais tinham lido – porque, nas séries mais avançadas, os livros já não eram tão infantis e havia muitas disciplinas, trabalhos e provas, além da vida extraescola, né, então era comum não devolver o livro em apenas uma semana, e só podíamos devolvê-los após a leitura estar completa, já que obrigatoriamente fazíamos trabalhos sobre cada um). Li muuuuito (e ganhei muitos livros legais) por causa do colégio. ❤

Da infância mais infância, títulos que ficaram na memória foram, dentre alguns outros, Um osso duro de roer, que era a história de um cachorrinho; Fininha fofinha, sobre uma elefantinha foférrima; e A foca famosa. O primeiro, eu nunca tive, porque não fui agraciada pelo sorteio do projeto de leitura (rs), e os outros dois dei há uns anos, em uma das mudanças que fiz – detesto mudança, ela nos obriga a desapegar de coisas que não queríamos na verdade.

Capa de A foca famosa (imagem do Google)

Capa de A foca famosa (imagem do Google)

Capa de Bruxa Onilda e a macaca (imagem de divulgação, do site da editora Scipione)

Capa de Bruxa Onilda e a macaca (imagem de divulgação, do site da editora Scipione)

Na sequência, fui apresentada, em casa mesmo até, à destrambelhada Bruxa Onilda. Histórias infantis ainda, mas já mais desenvolvidas, além de divertidinhas. Li (e tive) toda a coleção. Os primeiros que ganhei foram Bruxa Onilda e a macaca e O casamento da Bruxa Onilda. Os meus preferidos, além deste último, acho que eram Bruxa Onilda vai à festa e As memórias da Bruxa Onilda (os livros das trigêmeas já não me conquistaram). Acho essa coleção muito bacana pra crianças, especialmente entre uns 7 e 9 anos. Dessa época, também lembro-me de Irmão imaginário, de Lorris Murail; Ele é meu namorado e Estou de mal, de Beatrice Rouer.

Em 2001, veio a minha primeira Bienal. Lembro que nunca tinha me sentido tão maravilhada em um lugar. Era muuuita coisa pra  ver, pra olhar, pra folhear. E muitas opções de escolha (librianos detestam ter de decidir, afinal, eu queria todos!). Fui com meus pais, e saí de lá com meu primeiro livro “grandinho”: Confusões e calafrios, da coleção Vaga-lume, da editora Ática. Ainda não tinha completado 10 anos, e lembro que meus pais ficaram me advertindo de que aquele livro não era como os que eu estava acostumada a ler até então, não tinha figuras, e perguntavam: “Você vai ler isso??”. Peitei. Ia, sim, ora bolas! O livro tinha me chamado, me atraído. Tinha rolado a química, não era a ausência de figuras ou as páginas a mais que seriam um empecilho. Pelo contrário, tomei aquilo como um desafio. Queria dar um passo à frente nas minhas leituras. E, sim: li o livro rapidinho e AMEI. Ele foi o abre-alas dos livros infantojuvenis na minha vida, os meus xodós (assumo!).

Dois livros que ainda guardo em minhas estantes (Foto: O Eu Literário)

Dois livros que ainda guardo em minhas estantes (Foto: O Eu Literário)

Dentre os infantojuvenis, um dos mais especiais foi justamente A marca de uma lágrima, que li pouco tempo depois. Não foi o meu primeiro contato com Pedro Bandeira; já o havia conhecido com Mariana, outra graciosidade, aliás. Mas foi com A marca que o autor me conquistou definitivamente. Texto delicado e sensível, história bem-escrita. Comecei a ir atrás de livros dele, então. Vieram todos os Karas (recentemente, não resisti e comprei e li o último da série, o recém-publicado A droga da amizade), Agora estou sozinha, Como conquistar essa garotaAqueles olhos verdes, Amor impossível, possível amor… Também li O primeiro amor de Laurinha e o conhecido O fantástico mistério de Feiurinha, apesar de serem mais infantis. Além de Pedro Bandeira, entre meus 11 e 14 anos também li diversos infantojuvenis de romance adolescente e de mistério/suspense – adoro! Vou destacar, aqui, duas coleções que tanto me marcaram e têm memória afetiva pra mim: Vaga-lume, da Ática, e Veredas, da editora Moderna. Ai, ai, que saudade… Quantos livros! Deixa eu dividir outros títulos que me vêm à cabeça: O gênio do crime, de João Carlos Marinho; A turma da rua quinze, de Marçal Aquino; Um cadáver ouve rádio, de Marcos Rey; Na mira do vampiro, de Lopes dos Santos; A ladeira da saudade e Um girassol na janela, de Ganymédes José; Amor de verão, A casa do terror e Para tão longo amor, de Álvaro Cardoso Gomes; Crescer é perigoso e Um amigo no escuro, de Marcia Kupstas; Meu primeiro beijo, de Walcyr Carrasco; O mistério mora ao lado, de Giselda Laporta; Plano B, missão namoro, de Angélica Lopes; Tudo por um namorado, de Thalita Rebouças; e Avalon High, de Meg Cabot.  Ah, outros dois livros que me marcaram também foram O morro dos ventos uivantes, de Emile Brontë, e O retrato de Dorian Grey, de Oscar Wilde.

Já no início da adolescência, começaram a surgir os livros maiores… Saga Harry Potter. ❤ Amo, apaixonada. Já Senhor dos anéis nunca me atraiu. Nem Diário da princesa. A série Crepúsculo, li e gostei. Em geral, o que me atraía mais eram thrillers, romances policiais. Um com o qual me deleitei chama-se Um corpo para o crime, da escocesa Val Mcdermid. Já uma trilogia que tenho muita vontade de ler até hoje (mas fiquei na enrolação na época) é a Millennium, do sueco Stieg Larsson.

Meus HPs eu não dou de jeito nenhum!

Meus HPs eu não dou de jeito nenhum! (Foto: O Eu Literário)

Por fim, destaco Machado de Assis. No 1º ano do Ensino Médio, aos 14 anos, tivemos de ler Dom Casmurro para a disciplina de literatura. Ali, tive meu primeiro contato com essas obras “mais clássicas”. Curti muito o livro e é uma das minhas referências literárias até hoje.

Estas são as principais memórias literárias da minha infância/início da adolescência, fase em que fui leitora mais intensamente. Sabem o que é mais fantástico? Conforme eu fui escrevendo aqui, vários “trechinhos de memórias”, coisas muito vagas e muito soltas, de livros que li, foram vindo à minha mente. Que delícia… Uma pena que haja tantas coisas soltas, difícil lembrar o nome de cada livro. Bom, espero que gostem e se identifiquem em alguns momentos. Será que vocês também leram muitos desses livros? 🙂

Beijinhos

Leia também: Livros infantis (2)

 

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