Quem atua no processo editorial?

Imagem: O Eu Literário

(Imagem: O Eu Literário)

Como um livro é produzido? Como toma sua forma? O processo de produção de um livro, sua editoração, é longo e complexo, além de delicado, já que passa por diversas etapas (leia-se: por diversas mãos, diferentes profissionais). Neste post, discorrerei um pouco sobre esse processo, suas principais fases e no que cada uma se constitui. De antemão, adianto uma coisa: a(s) palavra(s)-chave do bom funcionamento de toda essa sequência editorial é comunicação (e, às vezes, paciência também). Todos os profissionais devem dialogar entre si, de modo que as premissas do livro estejam sempre em primeiro lugar, e é preciso lembrar que este é um produto fruto de um trabalho coletivo, em equipe.


Emanuel Araújo, em seu A construção do livro (2ª edição), assim define “editoração”: “Segundo a definição mais corrente, editoração é o conjunto de teorias, técnicas e aptidões artísticas e industriais destinadas ao planejamento, feitura e distribuição de um produto editorial. Em outras palavras, editoração é o gerenciamento da produção de uma publicação – livros, revistas, jornais, boletins, álbuns, cadernos, almanaques etc” (2008, p. 38).


O pequeno diagrama acima, elaborado por mim, serve como uma ilustração simples e direta a respeito do processo e da ordem das etapas de editoração de um livro, desde que ele é pensado e escrito, pelo autor, até o momento em que chega da gráfica, pronto para a distribuição e a comercialização. É importante frisar que esse é apenas um modelo ilustrativo, em que aparecem as principais atividades e os profissionais mais recorrentes. Pode haver muitos outros profissionais envolvidos no processo, de acordo com as necessidades específicas de cada obra e com o modo de atuação de cada casa editorial.

 

A ordem das etapas editoriais

Apesar de a ordem do diagrama ser apenas exemplificativa, como já comentei, pois cada editora desenvolve seu próprio método interno de trabalho, acredito que esse seja um modelo interessante, que contemple boa parte das linhas editoriais.

As setas indicam o sentido e o movimento do trabalho. Mas há um grande lance por trás desse aparente sentido unilateral: na verdade, por mais que haja uma direção que norteia a editoração, é comum que haja “idas e voltas” entre uma etapa e outra. Após o livro passar pela preparação do original, por exemplo, é muito natural que surjam dúvidas relativas ao texto – sobre palavras com colocações que não parecem adequadas, trechos confusos, ausência de referências em citações (no caso de livros acadêmicos/de não ficção), entre outros problemas. Nesse caso, em vez de o preparador enviar o texto revisado direto para o diagramador, será necessário que o texto volte para o autor (ou para o tradutor, no caso de um livro traduzido) após a preparação, junto com as dúvidas sinalizadas, para que as questões sejam resolvidas. Afinal, se há um parágrafo com frases truncadas, em que o sentido e a coerência do texto estão comprometidos, cabe ao preparador perceber e sinalizar isso, mas a pessoa mais indicada para informar qual era o real pensamento por trás daquelas frases é quem as escreveu, ou seja, o autor. (O mesmo tipo de movimento de checagem e esclarecimento em relação ao texto é comum também entre o tradutor e o autor.)

Outra consideração importante é sobre a posição do editor no diagrama. Coloquei-o ali, após o capista, demonstrando que é o editor quem vê o trabalho por último e é o responsável por agrupar todos os elementos e (buscar) garantir que o livro esteja todo ok, sem problemas provenientes de nenhuma etapa anterior, e por fechá-lo. Mas, na verdade, o editor costuma atuar em todo o processo, entre todos (ou quase todos) os estágios, servindo justamente como uma “ponte de ligação” e de diálogo entre todos os profissionais envolvidos na produção e na edição. Mais uma vez e sempre, é claro que tudo isso depende do editor em questão e da casa editorial onde o livro está sendo feito. Mas é comum, por exemplo, que quem faça o contato com o autor, após o preparador e o revisor sinalizarem as dúvidas de texto, seja o editor. Por isso, a posição do editor no diagrama é a que mais pode sofrer alterações na prática. Ele pode (e deveria, inclusive) flutuar por toda a editoração.

Mas, enfim, vamos à ordem do diagrama e dos profissionais nesse processo. Considerando a direção principal e mais natural, o livro é escrito pelo autor e enviado, normalmente em Word, para a casa editorial. Se for original em outra língua, o Word segue para um tradutor. Feita a tradução e estando o Word já devidamente adaptado para a nossa língua vernácula, ele segue para a preparação, quando passa pela primeira fase de revisão de texto e por uma observação mais a fundo em sua estrutura enquanto livro. Quando o texto está “fechado” (preparado e já alterado de acordo com possíveis respostas, comentários e observações do autor), o diagramador o assume, para pensar em qual projeto gráfico é apropriado para aquela obra que surgirá – a ideia é de que tudo esteja conversando entre si; é bacana que cada detalhe, como fonte escolhida, corpo do texto, espacejamentos e todo o design do miolo, esteja de acordo com o que o livro e o texto dizem. Após a diagramação, o material (agora, já com mais cara de livro) chega às mãos do revisor, que será o responsável por uma nova revisão,  mas desta vez diretamente no papel – naquelas que chamamos de “provas diagramadas”. (Caso ainda apareçam dúvidas para serem esclarecidas com o autor nesta etapa, o que também não é incomum, este novo contato deverá ser feito ao término da revisão.) Agora que o miolo está devidamente trabalhado e, a princípio, concluído, é a vez de a capa, item tão importante (principalmente em termos de vendas), entrar em cena. O capista, que muitas vezes é o mesmo profissional que fez o projeto gráfico e diagramou o livro, pensa em algo que tenha a ver com a proposta e com as ideias da obra para produzir a capa. E aí, então, cabe ao editor receber todo esse material, checá-lo, ver se não passou nenhum erro, se o texto está bom e bem-estruturado, se o projeto gráfico e a capa estão satisfatórios, se as propostas/ideias do autor foram mantidas, se as informações “técnicas” do livro estão corretas (ficha catalográfica, ISBN etc), se a grafia e a digitação dos títulos estão certas, se a paginação está correta, além de providenciar outros itens que precisem (textos para a orelha e para a quarta capa, por exemplo). No momento em que o editor garante que o livro está todo ok, bem-acabado e sem problema nenhum, ele envia todo o material para a gráfica escolhida, que o imprimirá e, depois, enviará todos os exemplares para a casa editorial. E com aquele cheirinho de livro novo. 🙂

E assim costuma se dar a ordem de produção e edição de um livro. No próximo post de “Da minha profissão”, explicitarei mais as principais funções desses profissionais. Espero que gostem!

 

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