Produção editorial: quem faz o quê — Parte II

Olá, queridos!

No post anterior, discorri sobre o quem é quem, o “quem faz o quê” da produção editorial. Comecei escrevendo um pouco a respeito do autor, do tradutor, do preparador e do diagramador (incluindo menções ao organizador e ao copidesque). Agora, então, darei continuidade. Direto ao ponto: hora de comentar as principais funções e atribuições do revisor, do capista, do editor e do produtor gráfico. Assim, a gente fecha a cadeia da editoração. 🙂

 

Revisor: A palavra “revisor” pode ser utilizada para qualquer profissional responsável por ler e fazer alterações no texto, sejam elas de cunho ortográfico e gramatical (ou seja, adequação à língua), de cunho editorial (fazer as adequações ao manual e aos estilos adotados comumente pela editora) ou de cunho normativo (adequar às normas da ABNT ou afins). Há, ainda, a possibilidade de ser um revisor técnico, que é chamado em alguns livros específicos para fazer uma revisão do conteúdo propriamente dito (como já vimos, o conteúdo é de responsabilidade do autor, mas em um livro inteiramente sobre história da arte na Idade Média, por exemplo, talvez o editor julgue necessária uma revisão técnica, ou seja, que alguém bastante conhecedor desse tema, um especialista nele, leia o texto todo para se certificar de que todo o conteúdo esteja correto). Mas, aqui, estou me referindo ao revisor de provas diagramadas, seguindo a sequência (habitual) da cadeia editorial que estamos traçando. O revisor é a pessoa a receber o livro diagramado e, pela primeira vez, impresso. Ele é responsável, então, por pegar aquele chumaço de folhas e ler o texto inteiro, na íntegra, para fazer uma nova revisão — pois aqui estamos considerando que o texto não está mais “virgem”, que já foi devidamente mexido e revisado no Word pelo preparador e/ou pelo copidesque. Mesmo que o texto tenha passado por uma (boa) preparação, também chamada de “primeira revisão”, é totalmente normal que role a “segunda revisão”, feita pelo revisor de provas — e, dependendo da sujeira do texto, ou seja, do quanto ele esteja complicado, pode haver ainda a “terceira” ou “quarta”, tudo vai de como estiver a qualidade. Em geral, o revisor costuma ser mais para acertar arestas. Se o preparador é responsável pelas primeiras e mais profundas alterações, se atentando mais para a parte estrutural do texto e do esqueleto do livro, o revisor é tão importante quanto, mas se volta mais para os detalhes: checar pontuação, acentuação e padronizações (este item é muito importante, valerá um post depois); ver se passou algo na preparação, como frases desconexas ou com falta de clareza; conferir a estrutura da bibliografia em livros de não ficção; ou seja, deixar o livro totalmente “redondo”. Cada erro e alteração que o revisor considere necessários, ele deve anotar a caneta (normalmente, vermelha) na prova diagramada, com marcações que chamamos de “emendas”. (As emendas, como vimos na primeira parte deste post, são passadas para o arquivo pelo diagramador.) E se por acaso o revisor ainda se deparar com algum problema no texto que deva ser reportado ao autor, algum trecho que necessite de esclarecimento, ele pode fazer isso: sinalizar a dúvida para esta ser enviada àquele. É só no final de todo este processo que o texto estará fechado — o texto, não o miolo como um todo ainda. Observação: às vezes, o próprio revisor já faz também os itens do fechamento (quebras, bater a grafia dos títulos no texto x no sumário, checar paginação, cabeços etc), mas esta costuma ser uma função do editor ou do assistente editorial.

Capista: Profissional responsável por criar a capa do livro. Normalmente, é um designer editorial/gráfico, mas pode ser um ilustrador também. Cada vez mais, é comum que as editoras terceirizem etapas da produção, e com isso o profissional que diagrama o miolo do livro não é o mesmo que cria a sua capa depois. Há diversos profissionais que se especializam apenas em fazer capas e que atuam só nisso. Eu, no entanto, acho bacana quando o capista é o mesmo diagramador do miolo, pois isso confere uma unidade maior ao livro. À primeira vista ou a um olhar mais leigo, as colocações do título e do nome do autor, as fontes e o uso do espaço podem parecer meio aleatórios, mas acreditem, não são. Ou seria legal que não fossem. E, por isso mesmo, é interessante quando as escolhas da capa se associam às escolhas do projeto gráfico do miolo — e, logo, essa afinação será maior se ambos forem de responsabilidade do mesmo profissional, ou se, pelo menos, houver um trabalho de equipe muito bem orquestrado entre o capista e o diagramador, de modo que estes dois possam trocar figurinhas. A capa é elemento fundamental de um livro. Ela não apenas precisa dizer sobre o conteúdo do livro e mostrar ao leitor o que esperar dele; ela é usada como peça de marketing editorial. É só pensar em uma livraria abarrotada de livros. Quem nunca pegou um exemplar atraído por uma capa bonita ou chamativa? Pois é, esta é a função do capista: pensar e criar uma capa que tenha bastante a ver com o conteúdo do livro e com o projeto gráfico do miolo e que, preferencialmente, também seja comercial, ou seja, tenha um bom apelo visual para ajudar nas vendas. Acho importante comentar que, na minha humilde opinião, tanto o diagramador quanto o capista precisam ler, pelo menos razoavelmente, o livro para fazerem seus trabalhos da melhor forma possível (digo isso porque já ouvi muitos profissionais dizendo que não o fazem, por conta de curto tempo etc, e apenas seguem as orientações gerais que lhes são passadas).

Editor: Maestro. Gerente geral da produção editorial. É até difícil descrever as principais atribuições do editor, porque ele participa de toda a cadeia da produção. É ele quem olha o original pela primeira vez, para ver do que se trata o material e como será feita a editoração e de quais profissionais precisará. É ele quem fica em contato com o autor, para saber quais são suas expectativas com o livro e se há orientações ou observações iniciais — e é muito importante estabelecer logo de cara este contato, traçando uma relação de confiança entre os dois lados do balcão. É ele quem monta o cronograma de toda a produção editorial que será feita, e também ele quem vai supervisionando e controlando cada etapa. É ele quem checa o arquivo final, faz o fechamento do miolo e envia tudo para a gráfica. Mas é claro que, nesse meio de campo, rola muita bola e há diversos pormenores que o editor pode (ter de) fazer também. Por exemplo, após o preparador e/ou o copidesque ter mexido no texto, o arquivo de Word fica cheio de marcações de revisão, que devem ser aceitas ou rejeitadas. É comumente o editor quem recebe esse arquivo e gerencia as emendas do Word do preparador/copidesque. Aí, ele separa as dúvidas textuais que o preparador/copidesque tenha sinalizado e as envia para o autor, que lhe responderá. Novamente, caberá ao editor passar as respostas do autor para o texto. O mesmo tipo de interferência e participação do editor pode acontecer após a revisão da diagramada. Em suma, o editor é a ponte entre cada uma das etapas de editoração, e é o maior contato desta com o autor. Leia-se: um bom processo editorial depende muito de uma boa atuação do editor, que funciona mesmo como um maestro que rege o conjunto todo. É importante que seja um profissional dinâmico, que conheça bem todas as etapas e como funcionam e que seja comunicativo e com jogo de cintura. Muitas vezes, o editor não trabalha sozinho, mas, sim, com alguém que o ajuda em suas atribuições diretamente: um assistente editorial ou editor assistente. Em muitos casos, o próprio assistente editorial fica responsável sozinho por algumas dessas funções.

Produtor gráfico:  Em geral, ele não trabalha dentro das editoras. O produtor gráfico é o profissional especializado em conhecer as técnicas de impressão, os diferentíssimos tipos de papel, de tintas, de cores, além de fazer orçamentos para pedidos e compras de todos os materiais utilizados para imprimir os exemplares na gráfica. É legal que o produtor gráfico atue como um consultor, dialogando com o diagramador/designer editorial e com o editor, para escolherem qual é o papel que ficará melhor no miolo e na capa, por exemplo, e qual é a melhor opção de impressão. Além disso, é responsável por supervisionar a impressão dos exemplares, checando se esta está saindo boa, se a tinta está pegando bem no papel, se não está manchando a folha, se a carga da tinta está homogênea em todas as páginas etc. Qualquer problema, ele deve entrar em contato com o editor. Acontece, por exemplo, de, durante a impressão, um papel se mostrar não funcional com a forma de impressão escolhida. Aí, é necessário esse contato com o editor para que as mudanças apropriadas possam ser feitas. Em suma, é o produtor gráfico quem recebe os arquivos do livro na gráfica, enviados pela editora, e controla a impressão. Também providencia o envio das provas heliográficas para a editora.

 

E, com isto, estão dispostos os principais profissionais que atuam na produção editorial de livros. Espero que tenham gostado e que as colocações tenham ficado claras e bacanas.

Beijinhos e até o próximo post!

Sigam O Eu Literário no Facebook também: https://www.facebook.com/oeuliterario

Anúncios

3 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s