Minha primeira vez com Agatha Christie – “Os crimes ABC”

Sabe aquela autora clássica, superconhecida e que é considerada uma das principais escritoras do seu subgênero literário preferido? Pois é, chega a ser meio absurdo quando você alcança certa idade sem nunca ter lido, de fato, nenhuma de suas obras. Assim acontecia comigo e a tão comentada – e elogiada – Agatha Christie, chamada por muitos de “Rainha do Crime”.

Agatha nasceu em 1890, na Inglaterra, e escreveu mais de oitenta títulos, tendo vendido mais de 4 bilhões de exemplares em todo o mundo, atrás apenas de Shakespeare e da Bíblia. Leia-se: a mulher é foda. Minha curiosidade em relação a ela já era grande há muitos anos, mas em 2015 tornou-se especial. Decidi que era hora do nosso encontro. E minha primeira incursão em sua literatura foi com Os crimes ABC, um dos livros que contam com a figura central do detetive belga Hercule Poirot. Antes de adentrar em seu universo e deixar minhas impressões e opinião, vou dar um breve resumo (sem spoilers) sobre a obra, então.

Quarta capa (O Eu Literário)

Quarta capa (O Eu Literário)

Capa (O Eu Literário)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A história

O renomado e cheio de prestígio detetive Hercule Poirot já está aposentado, mas não consegue se manter longe dos crimes por muito tempo. Vez ou outra, aparece um novo caso que merece sua atenção e o requisita novamente à ativa. Desta vez, o crime vai pessoal e diretamente à sua residência. Explica-se: em um dia comum, ele recebe um bilhete, assinado por alguém sob alcunha de “ABC”, que o avisa que ocorrerá um homicídio na localidade de Andover no dia 21 de junho. O aviso vem sob a forma de um desafio para Poirot, que deverá impedir que tal assassinato aconteça. Surpreso com tal fato, inédito em sua carreira, ele avisa a Scotland Yard sobre a carta recebida, mas todos acreditam se tratar de alguma pegadinha de mau gosto. Poirot, no entanto, fica com a pulga atrás da orelha.

Na data determinada, uma senhora idosa, de nome Alice Ascher, é assassinada dentro de sua pequena loja em Andover. Sem pistas sobre o crime, a polícia se vê no escuro, e o único detalhe que chama atenção é que, próximo à vítima, foi encontrado um guia de trens conhecido como ABC. Poirot tem certeza de que se trata do homicídio sobre o qual o estranho remetente o avisara dias antes, mas nada consegue descobrir a respeito da origem da mensagem. Semanas depois, uma nova carta chega à sua casa, com o aviso de um novo assassinato que acontecerá, em alguns dias, desta vez em Bexhill. A partir daí, começa uma grande caçada em busca do louco assassino em série, que possui como únicas características identificadas o fato de sempre deixar um exemplar do ABC junto a suas vítimas (que não possuem nenhuma relação entre si) e de sempre antecipar o próximo crime em um bilhete enviado ao detetive. Os assassinatos parecem seguir uma estranha sequência alfabética, em que as vítimas possuem as mesmas iniciais da cidade onde moram. E caberá a Poirot, acompanhado de seu fiel amigo capitão Hastings e dos inspetores da Scotland Yard, descobrir a identidade do assassino e por que ele está matando aquelas determinadas pessoas. E por qual razão o escolhera para ser o destinatário de suas cartas! Será ele apenas um maníaco homicida?

Opinião

Minha expectativa era grande para este primeiro encontro com a Rainha do Crime. E posso dizer que não me decepcionei. Sua literatura é simples e eficiente! Por “simples”, refiro-me ao seu modo de escrever. O mistério por trás da trama é fantástico. Os crimes ABC é um livro de 256 páginas e dividido em 35 capítulos. Ou seja, é uma composição de capítulos todos muito curtos, o que faz com que a leitura seja rápida. A linguagem utilizada, apesar de ter ares mais formais – lembrem-se de que a obra foi escrita em 1936! –, é bem tranquila, sem rebuscamentos, o que também facilita a apreciação.

A trama criada por Agatha Christie é boa e forte. Diferentemente dos romances policiais/thrillers que estou acostumada a ler, aqui o foco principal não está sobre as vítimas e seus círculos sociais, mas sim na figura do detetive da história. Hercule Poirot, um homem já experiente, é descrito como metódico, observador, discreto, confiante e muito inteligente. É sob sua perspectiva e suas investigações que a história é contada e vai se desenrolando – apesar de ser narrada, na verdade, por seu amigo Hastings.

A leitura é fluida e corre bem, não é enfadonha. Pelo contrário, te aguça e faz querer ler tudo no mesmo dia – até por tratar-se de um livro razoavelmente pequeno. Agatha constrói uma trama satisfatória, com uma boa quantidade de elementos narrativos, personagens misteriosos e uma agradável reviravolta (no meio do livro, por conta de uma única fala, eu desconfiei de quem era o assassino e acertei, mas o final foi bem construído e não deixou de ser surpreendente). Confesso que senti um pouco de falta, no entanto, de mais ação propriamente dita e emoção no decorrer da história. As últimas dez páginas, mais ou menos, trazem toda a genialidade de Poirot, que, mesmo com pouquíssimos detalhes, consegue desvendar o caso por completo. Mas, no restante todo, o que se vê é um detetive de poucas palavras realmente importantes, que passa mais tempo refletindo – como bem diz para Hastings em algumas ocasiões – do que em atividade de fato. Achei-o um pouco apagado, em relação a tudo o que sempre ouvi – mas inegavelmente prodigioso. Além disso, vale registrar que a autora não se deteve em construir a fundo o lado psicológico de cada personagem. Conhecemos muito pouco das vítimas. No entanto, talvez seja um estilo de suas obras mesmo, que focam mais nas investigações policiais do que na parte humana/psicológica em si, o que não é nenhum demérito literário. Serei capaz de perceber melhor seu estilo nos próximos livros, que lerei com toda a certeza.

Por fim, queria registrar alguns comentários técnicos sobre a edição da Nova Fronteira, a que eu li. A capa dura, algo que dá um ar imponente e clássico, combinou com Agatha Christie. A seriedade é quebrada, no entanto, por sua ilustração, bem colorida e com um sabor bem jovial, pueril. Gostei, achei uma graça! A diagramação do miolo (o interior do livro) é bem padrão comercialmente e funciona de maneira satisfatória. A escolha do papel também acho que foi acertada – aquele “amarelinho”, sabe? Minha única ressalva fica por conta do tratamento com o texto, que poderia ter sido melhor. É a coisa mais natural passarem alguns errinhos em livros, eu bem sei disso. Mas encontrei uma quantidade razoável de pequenos problemas, desde erros de digitação a palavras escritas equivocadamente mesmo. Fica a observação para reedições. 😉

Nota

Para a trama de Agatha Christie Os crimes ABC, dou nota 9/10. Acho que, para sua proposta literária, a narrativa cumpre muito bem e é, sem dúvidas, uma leitura agradável, além de ter um enredo excelente. Eu gostei e lerei outros, para poder analisar melhor o estilo da autora. Esperava um pouquinho mais do livro em termos de emoção e movimento no início e no meio, principalmente por parte de Poirot, como disse acima, mas nada que diminua o meu apreço.

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Abrindo o livro (O Eu Literário)

Ficha do livro

Título: Os crimes ABC
Autora: Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 256
Ano: 2015
Edição: 1ª

 

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Miolo (O Eu Literário)

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5 comentários

    1. Já li também, e achei igualmente bom. 🙂 Indico os dois. E os livros de Agatha são muito leves de se ler, leituras que fluem. Bons entretenimentos e certeiros pra fãs do gênero policial!
      Beijinhos e obrigada pelo comentário!

      Curtido por 1 pessoa

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