Primeira do ano: “Não conte a ninguém”

Feliz Ano-Novo!

O sumiço foi grande, as atribulações pessoais e profissionais, muitas, tem um monte de postagens atrasadas – que ainda pretendo fazer! -, mas, como estou em uns diazinhos de férias na praia, nada como uma leitura para começar o ano bem, né? E já foi concluída a primeira de 2017. Então, por que não furar a fila e mandar logo uma breve resenha de Não conte a ninguém, do badalado Harlan Coben? Vamos a ela!

Quem acompanha o blog já deve saber que sou apaixonada por thrillers. Os meus preferidos são os psicológicos. Eu não conhecia muito o estilo de Coben, só via seu nome com frequência por aí e lia ótimas críticas sobre seus livros de mistério e suspense – ou seja, era hora de me encontrar com ele. A sinopse desse livro me chamou atenção e despertou meu interesse. Depois, descobri que se trata de sua obra mais consagrada. Li em duas sentadas (é razoavelmente curto, tem 250 páginas) e gostei muito.

Sinopse

Há oito anos, enquanto comemoravam o aniversário de seu primeiro beijo, o Dr. David Beck e sua esposa, Elizabeth, sofreram um terrível ataque. Ele foi golpeado e caiu no lago, inconsciente. Ela foi raptada e brutalmente assassinada por um serial killer. O caso volta à tona quando a polícia encontra dois corpos enterrados perto do local do crime, junto com o taco de beisebol usado para nocautear David. Ao mesmo tempo, o médico recebe um misterioso e-mail, que, aparentemente, só pode ter sido enviado por sua esposa. Esses novos fatos fazem ressurgir inúmeras perguntas sem respostas: como David conseguiu sair do lago? Elizabeth está viva? E, se estiver, de quem era o corpo enterrado oito anos antes? Por que ela demorou tanto para entrar em contato com o marido? Na mira do FBI como principal suspeito da morte da esposa e caçado por um perigosíssimo assassino de aluguel, David Beck contará apenas com o apoio de sua melhor amiga, a modelo Shauna, da célebre advogada Hester Crimstein e de um traficante de drogas para descobrir toda a verdade e provar a sua inocência.

Opinião

Eita, livro rápido! Eu ainda não conheço o estilo do autor, visto que foi minha primeira leitura dele, mas, ao menos por Não conte a ninguém, posso dizer que ele é muito perspicaz, criativo e eficiente. A trama vai se desenrolando em uma simplicidade que impressiona. Ao contrário da enorme maioria de histórias por aí, não tem – realmente não tem – encheção de linguiça. A todo momento, algo novo acontece, um fato inédito surge.

A narrativa é contada na primeira e na terceira pessoas. Os pontos de vista são intercalados de maneira irregular: às vezes, acompanhamos tudo pela ótica de Beck, o protagonista (e é nestes momentos que ocorre a primeira pessoa); outras vezes, pela do narrador-observador, que cada hora relata os passos e pensamentos de cada um dos demais personagens – mas cada um em seu intervalo distinto, é bem delineada a marcação de perspectivas. Isso é uma ferramenta de escrita muito comum na literatura policial, e Coben faz uso dela muito bem. Contribui bastante para o ritmo acelerado e instigante da trama. Até porque, como falei, não tem nenhum espaço para a monotonia, já que ele construiu um livro tão irrigado de mistérios e surpresas.

Outro fator relevante é que desde o início sabemos quem é o matador de aluguel citado na sinopse, quem é o contratante e também acompanhamos os seus passos. A grande questão é o que motivou tudo o que fizeram. O que aconteceu paralelo a tudo aquilo. E é aí que a criatividade de Coben fez ótimos voos.

Bom, como sou uma grande apreciadora dos thrillers psicológicos, confesso que senti um pouquinho de falta das construções psicológicas, das reflexões sociais e psíquicas mais aprofundadas que aquelas obras proporcionam. Tipo Gillian Flynn. Mas, tudo bem, percebi logo que aqui o traço é diferente, é mais objetivo e mais focado nas reviravoltas e nas ações – que não são poucas. É muita ação mesmo! Tampouco, também, é um livro que foca nos policiais, como a Rainha do Crime; eles são meros coadjuvantes. As investigações acontecem, mas são mais sutis. Pouca elucubração e muita ação.

Como não há tanta preocupação com a construção dos personagens, é mais difícil rolar aquelas identificações pessoais. Além disso, nosso protagonista é muito reservado, um tanto apático – pudera, sofreu um grande trauma ao perder a esposa, vítima de um atentato/sequestro, e ainda se culpa por isso -, o que dificulta isso ainda mais. Para alguns, talvez esse seja um ponto negativo do livro. Para mim, não chegou a ser. Encarei como o estilo do autor mesmo, como comentei, e foquei na plot. Ainda consegui me afeiçoar a ele por um ponto sutil, mas muito importante: apesar de ter sido escrito em 2001, o que acredito que ajude a afastá-lo das discussões sociais mais atuais, o personagem já traz uns pensamentos bacaninhas sobre Alerta Machismo, o que é sempre legal!

Nota

Leitura soft, rápida, gostosa e que não deixa a gente largar o livro. Para quem gosta de mistérios, desaparecimentos, assassinatos e reviravoltas, superindico! Dou nota 9,5/10,0. Um ponto negativo? Não chega a ser negativo, mas no último terço do livro rola tanta reviravolta que o leitor quase se perde. É bacana, você fica até a última página do livro na apreensão e na expectativa. Mas, ao fim, fiquei com uma sensaçãozinha de que se o autor tivesse se preocupado um tiquinho menos com a criação de tantas coisas, a trama talvez pudesse ter ficado um pouco mais consistente. Sem surgir aquela pergunta “Mas se ele sabia disso desde sempre, como não desconfiou de nada nunca e aceitou tudo ‘numa boa’?”. Mas está ok, tá, Coben? Adorei você e vou ler mais.

Beijos, amores :*

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