infância

Maresia

Ela é do mar

Gosta tanto que o carrega na alma e no nome

Traz dentro de si

Não por egoísmo, mas por necessidade

De vez em quando, transborda.

Alma agonizante, alma pulsante

Pulsa tanto que já nem sente

Ou sente tanto que já se acostumou

Assim pensava.

De tanto sentir a dor de sentir o que sente

Maremotizou-se.

Mulher, neste mundo é proibido sentir

Não levante a voz, não nade contra a corrente

Criança boa é criança calada

Quem cala, consente

Oh, garota, você tem que falar com Fulano!

Criança boa é criança obediente

A criança que reclama não é ouvida

A criança que sofre não é vista

Criança boa é criança que aceita

De tanto aceitar, aceita que tudo é como é

Deixa o mar inundar tudo

E ocupar cada pedacinho

pro barulho das ondas abafar os outros

E pra terra satisfeita ficar.

Terra acha que cada coisa tem seu lugar

Poeira embaixo do tapete deve estar

Todo dia nasce novo sol

O mar também muda

Esquenta, ferve, evapora

Água é movimento

natural que não se contém.

E quando sai toda a água, a alma seca

O silêncio vira eco

Retumba

Chacoalha.

Ela não é louca

A consciência dá força

Mulher-mar.

Deu-se a ressaca

Não a culpem

Ela só está sendo mar

E não cabe ao mar ensinar à terra

como se recuperar da ressaca

Cada coisa tem seu lugar

E mar calmo nunca fez bom marinheiro

Quiçá marinheira

Que já nasce remando nas ondas

do machismo da vida.

 

(O Eu Literário)

 

 

 

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Livros infantis (2)

Oi, gente!

Eu ia escrever um novo post sobre produção editorial, mas, depois de ter publicado, sexta-feira passada, todas aquelas lembranças literárias da minha infância e do início da minha adolescência, cadê que consegui frear as memórias? (rs) Vira e mexe, vinha outro livro à minha cabeça, outra história lida há anos e que, percebi, deixaram um lugarzinho cativo em mim. Afinal, é lá na infância, naquela época gostosa, que somos apresentados a este objeto mágico chamado “livro”. Normalmente – não regra –, é de lá que vem o nosso hábito de leitor.

Somado a isso, nessa segunda-feira, dia 24 de agosto, foi o Dia da Infância. Então, em homenagem a tudo isso, acabei montando uma lista, com dez livros infantis que li entre uns 5 e 12 anos – nenhum destes foi mencionado na postagem anterior, sobre os livros que me marcaram. Confiram aí a listinha:

1- A bota do bode

A bota do bode

2- A galinha ruiva

A galinha ruiva

3- Doroteia, a centopeia

Doroteia, a centopeia

4- Rita está crescendo

Rita está crescendo

5- A porta do meu coração

A porta do meu coração

6- Sabor de vitória

Sabor de vitória

7- Adeus, escola

Adeus, escola

8- O menino Maluquinho

Menino Maluquinho

9- Furo de reportagem

Furo de reportagem

10- O Clube do terror

O clube do terror

(Imagens das capas – Reprodução/Google)

 

E aí, alguém mais se lembra de alguns desses livros também? Ou de outros livros infantis marcantes? Comentem aí, então. 😉

Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar. (Monteiro Lobato)

Livros que me marcaram: memórias da infância

“Sou a marca de uma lágrima tão profunda quanto a solidão.”

Alguém aí se identificou? Eu, sim. Principalmente, quando tinha 11/12 anos de idade. A frase acima faz parte do livro A marca de uma lágrima, de Pedro Bandeira. Foi, sem dúvidas, um dos livros que mais marcou minha infância e o início da minha adolescência. E, hoje, escolhi falar um pouquinho disso, dividir com vocês livros que li entre meus 5 e 14 anos e que me tornaram quem sou – porque somos o que lemos, né?

Capa de A marca de uma lágrima (Imagem do Google)

Capa de A marca de uma lágrima (Imagem do Google)

Ainda criança pequena, já gostava de ler. E, pra minha sorte, da antiga Classe de Alfabetização até a 8ª série, estudei em um mesmo colégio, que prezava muito pelo estímulo à leitura. A escola tinha, como uma de suas disciplinas, um projeto de leitura. Funcionava assim: no início de cada ano letivo, eles comprovam X livros (acho que uns 30, porque as turmas não eram muito numerosas, costumavam ter em torno de 15 a 25 alunos) e deixavam todos em uma caixa. Uma vez por semana, o professor (a partir de 5ª série, quando passa a haver vários professores, um para cada matéria, existia um destinado particularmente e apenas para a aula do projeto) pegava a caixa com os livros e, seguindo alguma ordem – alfabética crescente, decrescente ou outras várias –, ia chamando cada aluno pra ir até lá e escolher, dentre todos aqueles, um livro pra levar pra casa. Os alunos tinham, então, uma semana pra ficar com o livrinho em casa e lê-lo. Na semana seguinte, o professor trazia de novo a caixa e tínhamos, cada um, de apresentar o livro lido de alguma forma. Tínhamos também um caderninho específico para as aulas do projeto de leitura, no qual fazíamos sempre trabalhos diversos sobre a obra. Enfim, uma beleza! Aí, no final do ano, todos os livros eram divididos pelos alunos da turma (às vezes, eram sorteados; às vezes, podíamos escolher com os quais queríamos ficar, e aí a ordem de estudantes para irem escolher era dada por aqueles que mais tinham lido – porque, nas séries mais avançadas, os livros já não eram tão infantis e havia muitas disciplinas, trabalhos e provas, além da vida extraescola, né, então era comum não devolver o livro em apenas uma semana, e só podíamos devolvê-los após a leitura estar completa, já que obrigatoriamente fazíamos trabalhos sobre cada um). Li muuuuito (e ganhei muitos livros legais) por causa do colégio. ❤

Da infância mais infância, títulos que ficaram na memória foram, dentre alguns outros, Um osso duro de roer, que era a história de um cachorrinho; Fininha fofinha, sobre uma elefantinha foférrima; e A foca famosa. O primeiro, eu nunca tive, porque não fui agraciada pelo sorteio do projeto de leitura (rs), e os outros dois dei há uns anos, em uma das mudanças que fiz – detesto mudança, ela nos obriga a desapegar de coisas que não queríamos na verdade.

Capa de A foca famosa (imagem do Google)

Capa de A foca famosa (imagem do Google)

Capa de Bruxa Onilda e a macaca (imagem de divulgação, do site da editora Scipione)

Capa de Bruxa Onilda e a macaca (imagem de divulgação, do site da editora Scipione)

Na sequência, fui apresentada, em casa mesmo até, à destrambelhada Bruxa Onilda. Histórias infantis ainda, mas já mais desenvolvidas, além de divertidinhas. Li (e tive) toda a coleção. Os primeiros que ganhei foram Bruxa Onilda e a macaca e O casamento da Bruxa Onilda. Os meus preferidos, além deste último, acho que eram Bruxa Onilda vai à festa e As memórias da Bruxa Onilda (os livros das trigêmeas já não me conquistaram). Acho essa coleção muito bacana pra crianças, especialmente entre uns 7 e 9 anos. Dessa época, também lembro-me de Irmão imaginário, de Lorris Murail; Ele é meu namorado e Estou de mal, de Beatrice Rouer.

Em 2001, veio a minha primeira Bienal. Lembro que nunca tinha me sentido tão maravilhada em um lugar. Era muuuita coisa pra  ver, pra olhar, pra folhear. E muitas opções de escolha (librianos detestam ter de decidir, afinal, eu queria todos!). Fui com meus pais, e saí de lá com meu primeiro livro “grandinho”: Confusões e calafrios, da coleção Vaga-lume, da editora Ática. Ainda não tinha completado 10 anos, e lembro que meus pais ficaram me advertindo de que aquele livro não era como os que eu estava acostumada a ler até então, não tinha figuras, e perguntavam: “Você vai ler isso??”. Peitei. Ia, sim, ora bolas! O livro tinha me chamado, me atraído. Tinha rolado a química, não era a ausência de figuras ou as páginas a mais que seriam um empecilho. Pelo contrário, tomei aquilo como um desafio. Queria dar um passo à frente nas minhas leituras. E, sim: li o livro rapidinho e AMEI. Ele foi o abre-alas dos livros infantojuvenis na minha vida, os meus xodós (assumo!).

Dois livros que ainda guardo em minhas estantes (Foto: O Eu Literário)

Dois livros que ainda guardo em minhas estantes (Foto: O Eu Literário)

Dentre os infantojuvenis, um dos mais especiais foi justamente A marca de uma lágrima, que li pouco tempo depois. Não foi o meu primeiro contato com Pedro Bandeira; já o havia conhecido com Mariana, outra graciosidade, aliás. Mas foi com A marca que o autor me conquistou definitivamente. Texto delicado e sensível, história bem-escrita. Comecei a ir atrás de livros dele, então. Vieram todos os Karas (recentemente, não resisti e comprei e li o último da série, o recém-publicado A droga da amizade), Agora estou sozinha, Como conquistar essa garotaAqueles olhos verdes, Amor impossível, possível amor… Também li O primeiro amor de Laurinha e o conhecido O fantástico mistério de Feiurinha, apesar de serem mais infantis. Além de Pedro Bandeira, entre meus 11 e 14 anos também li diversos infantojuvenis de romance adolescente e de mistério/suspense – adoro! Vou destacar, aqui, duas coleções que tanto me marcaram e têm memória afetiva pra mim: Vaga-lume, da Ática, e Veredas, da editora Moderna. Ai, ai, que saudade… Quantos livros! Deixa eu dividir outros títulos que me vêm à cabeça: O gênio do crime, de João Carlos Marinho; A turma da rua quinze, de Marçal Aquino; Um cadáver ouve rádio, de Marcos Rey; Na mira do vampiro, de Lopes dos Santos; A ladeira da saudade e Um girassol na janela, de Ganymédes José; Amor de verão, A casa do terror e Para tão longo amor, de Álvaro Cardoso Gomes; Crescer é perigoso e Um amigo no escuro, de Marcia Kupstas; Meu primeiro beijo, de Walcyr Carrasco; O mistério mora ao lado, de Giselda Laporta; Plano B, missão namoro, de Angélica Lopes; Tudo por um namorado, de Thalita Rebouças; e Avalon High, de Meg Cabot.  Ah, outros dois livros que me marcaram também foram O morro dos ventos uivantes, de Emile Brontë, e O retrato de Dorian Grey, de Oscar Wilde.

Já no início da adolescência, começaram a surgir os livros maiores… Saga Harry Potter. ❤ Amo, apaixonada. Já Senhor dos anéis nunca me atraiu. Nem Diário da princesa. A série Crepúsculo, li e gostei. Em geral, o que me atraía mais eram thrillers, romances policiais. Um com o qual me deleitei chama-se Um corpo para o crime, da escocesa Val Mcdermid. Já uma trilogia que tenho muita vontade de ler até hoje (mas fiquei na enrolação na época) é a Millennium, do sueco Stieg Larsson.

Meus HPs eu não dou de jeito nenhum!

Meus HPs eu não dou de jeito nenhum! (Foto: O Eu Literário)

Por fim, destaco Machado de Assis. No 1º ano do Ensino Médio, aos 14 anos, tivemos de ler Dom Casmurro para a disciplina de literatura. Ali, tive meu primeiro contato com essas obras “mais clássicas”. Curti muito o livro e é uma das minhas referências literárias até hoje.

Estas são as principais memórias literárias da minha infância/início da adolescência, fase em que fui leitora mais intensamente. Sabem o que é mais fantástico? Conforme eu fui escrevendo aqui, vários “trechinhos de memórias”, coisas muito vagas e muito soltas, de livros que li, foram vindo à minha mente. Que delícia… Uma pena que haja tantas coisas soltas, difícil lembrar o nome de cada livro. Bom, espero que gostem e se identifiquem em alguns momentos. Será que vocês também leram muitos desses livros? 🙂

Beijinhos

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